Afortunados são os que tem a capacidade de escrever poesias e fazer disto seu outro ofÍcio, e também são aqueles que o lêem e constroem um refúgio onde refrescam seu espírito com a bebida gratificante de palavras e sentimentos, que eleva seu espírito até um céu limpo de nuvens onde só brilha a luz de sua inspiração.
Uma obra de arte é boa se há nascido ao impulso de uma íntima necessidade. Precisamente neste seu modo de engendrar-se radica e estriba o valor da poesia, porque explora as profundidades de onde mana a vida. Ali radica a história da beleza e da poesia, a que coabita em o humano e para o humano, a que vá escrevendo paralelamente a história da humanidade, e neste ordenamento perfeito do caos que antecede a beleza e se concebe a grandiosa poesia.
Muitas vezes me perguntei em meio destes desvelos que me perseguem e que me anuncia a aparição da palavra. Que misteriosos meios, que sopros desconhecidos e germinais movem a este grupo de pessoas a resgatar ”tempo do tempo” para acudir, inverno e verão, embaixo da chuva persistente ou um sol que transpassa, a cumprir com uma missão irredutível de escrever poesia.
É muito difícil dar uma opinião sobre o proveito da poesia individualmente; depende de fatores particulares do poeta. Pode ser a concreção de uma necessidade essencial, uma maneira de ver e mostrar o mundo,uma maneira de sentir junto com outros. Do que vou fazer fazendo este prólogo deste trabalho solitário, silencioso e inspiradora que realiza a escritora brasileira Rachel Rocha Omena (Maceió – Alagoas). Recebedora deste portentoso mistério, onde recolhe a beleza que sente seu espírito, traslada a palavras com sua máxima expressão, e que hoje nos apresenta este livro que titulou “ O cristal de uma mulher “ . Em cada um de seus poemas nos demonstra que a poesia é como a água que sustenta a terra. Porque atrás da palavra está o sopro poético, é a sombra invisível que forma a arquitetura, das paisagens interiores do homem, que constitui a verdadeira essência do ser, que se cobre e dialoga dentro de nós mesmos.
A poesia é a instauração do ser com a palavra. Exatamente é assim. O cristal de uma mulher se transforma e se converte em beleza . Nos eleva ao universo que para a escritora é como uma infinita galeria de arte , de pequenas e grandes obras maestras que sustentam o frágil e as vezes o miserável espectro de nossas realidades. Sente em cada verso a necessidade de ligar e conciliar o mundo com o universo onde habita a harmonia como pedra angular da beleza . Levando a poeta a estabelecer seu mundo desde onde inicia a construção de seu próprio edifício para abrir a janela das escuridões para a luz, a elevação do cotidiano as comarcas da beleza, assim, a chuva sobre o jardim, o cantar dos insetos nas noites, a espuma e o cheiro do mar ao romper na praia , o aroma do pão ao ser cozido, o homem urbano e seus fantasmas diários, o amor, a ternura, a alegria, todas as pequenas e grandes coisas que fazem uma alma ir repetível poético . Rachel Rocha Omena é uma das escritoras mais peculiares da nova literatura de Alagoas. De versos amatórios vibrantes por seu romantismo e por sua perpetua forma de amar. Leve como suspensa no tempo, os textos e a paisagem narrativo do amor que nos transmite laboriosa a cultura das palavras, nos produz o encanto e a serenidade que somente emerge de uma constante harmonia interior.
Há uma linguagem plena de desfrutes do carinho, da generosidade de compartilhar sentimentos , que faz que aflore em cada um dos leitores sentimentos e emoções que voam como uma pluma para os profundos e misteriosos filtros do amor. Esta é a ação e reação alquímica que produz fascinação e fará que nos cerque como espectadores a seu poema a cada momento.
O mérito a sua poesia é como se saíram cristais de sua boca. Palavras de cristais, que encandeiam e encantam e caem no resplendor da memória do leitor. Tem uma trajetória poética pela precocidade e a intensividade e que vence assim a diáspora do tempo nesta terra que há deixado a seus cantores da palavra.
Sua melhor qualidade reside em ser o centro mesmo da claridade e as inspirações do homem, de seu abismo e de seus sonhos mais altos.
Traduzido por Maria Elena de mello